Agarrei-me a ela envolvendo seu corpo. Esse corpo que agora era meu por inteiro, cuja pele respondia ao meu chamado e me reconhecia por dentro e por fora. Desejei que pudéssemos nos fundir numa só pele,
para que eu nunca mais precisasse tolerar nenhum centímetro que nos separasse. Então eu a abracei um pouco mais forte. Para que a escuridão que nos tragaria em breve não pudesse nos separar nem mesmo em sonhos.
Naquela noite, novamente sonhei com o sol. Um sol que me cegava enquanto eu estava à deriva em águas calmas, indiferente quanto a onde as ondas me levariam. Longos cachos acobreados se espalhavam pelo mar, entrelaçando-se nos meus dedos.
Uma nuvem cobriu temporariamente o sol, escurecendo minha visão. Mas eu não me assustei. Quando meus olhos se acostumaram, eu pude ver o futuro sentado na areia da praia, esperando. Ele brincava com a areia e sorria para os pássaros que voavam dando rasantes sobre sua cabecinha.
O futuro tinha pele branca, olhos profundamente azuis e as cores do sol brincavam em seus cabelos. O futuro era neve, safira e meio-dia.
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